viernes, noviembre 02, 2007

Edición y construcción política (XVIII-XX)

Eliana de Freitas Dutra e Jean-Yves Mollier (eds.)
Política, nação e edição. O lugar dos impressos na construção da vida política. Brasil, Europa e Américas nos séculos XVIII-XX
São Paulo: AnnaBlume, 2006, 621 páginas, R$ 70,00

Os impressos tomaram ao longo dos séculos formas variadas que incluem livros, almanaques, jornais, revistas, panfletos, boletins, cartazes, mapas, gravuras, calendários, cédulas bancárias, entre outros. Os impressos tiveram papel ativo nos processos de transformações culturais, sociais e políticas que levaram à modernidade ocidental adquirindo importante papel político. Este livro reúne textos de autores que se dispuseram a refletir sobre o papel dos impressos na construção da vida política em geral e das comunidades políticas em particular, tomadas nas suas confrontações e acomodamentos ao longo dos séculos XVIII e XX, na Europa e nas Américas. Não obstante o fato de terem tomado como questão de fundo pensar a política no impresso e o impresso na política, os especialistas reunidos neste volume tiveram igual interesse na análise dos impressos em inúmeras outras dimensões e articulações que revelam a historicidade inerente aos impressos enquanto documentos.
Este livro, apesar da sua ênfase nos fenômenos políticos e, em particular, na construção de idéias de nação, pretende se juntar a outras iniciativas que, no Brasil, nos últimos anos, tentam trazer sua contribuição à história do livro, das edições e da leitura, ainda que detendo-se nos seus cruzamentos com a política e as culturas políticas.

SUMÁRIO
A LONGA VIAGEM DA BIBLIOTECA DOS REIS - Lilia Schwarcz
I - A POLÍTICA NAS BIBLIOTECAS
A ‘Biblioteca de Autores Espanhóis’ (1846-1878) ou A Construção de um Panteão Nacional nas Letras Espanholas, Jean-François Botrel
Sedição, Heresia e Rebelião nos Trópicos: a "Biblioteca do Naturalista" José Vieira Couto, Júnia Ferreira Furtado
Da Escrita Impressa aos Impressos da Biblioteca: Uma Análise do Itinerário de Leitura de Oliveira Vianna, Giselle Martins Venâncio
II – REPRESSÃO E CENSURA NO MUNDO DOS IMPRESSOS
Censura, Comércio livreiro e Obras de cunho político (1769-1808), Luís Carlos Villalta
O diabo nas bibliotecas comunistas: repressão e censura no Brasil dos anos 1930, Rodrigo Patto de Sá Motta
Dos porões aos arquivos policiais: o lugar do impresso revolucionário, Maria Luiza Tucci Carneiro
III – IMAGENS CRUZADAS: A ALTERIDADE NA ESCRITA E NOS REPERTÓRIOS LITERÁRIOS
A Impressão e a construção de identidades coletivas na Europa Central e Oriental, Fréderic Barbier
Leitores-atores; leituras estrangeiras: influência para a formação de uma cultura nacional no México, Laura Suárez
Escrever e pensar sobre o Novo Mundo - Escrever e pensar no Novo Mundo, Márcia Abreu
IV – COMBATES POLÍTICOS E PROJETOS REVOLUCIONÁRIOS: OS IMPRESSOS COMO ARMA
Quando o impresso transforma-se em uma arma do combate político: a França dos séculos XVI ao XX, Jean Yves Mollier
Guerra e guerras nas edições populares ou uma consciência possível de América Latina, Jerusa Pires Ferreira
“Os Rousseaus” Revolucionários, Carla Haesse
V – PROJETOS EDITORIAIS E PEDAGOGIAS DA NACIONALIDADE
A Nação nos Livros: A Biblioteca Ideal na Coleção Brasiliana, Eliana de Freitas Dutra
Revista do Brasil (1938-1943), um projeto alternativo?, Tânia de Lucca
O projeto político cultural da Coleção Atualidades Pedagógicas, Maria Rita Almeida de Toledo
VI – LEITURA E EDIÇÃO DE IMAGENS: “DE SI” E “DO OUTRO”
O Brasil na produção das imagens impressas durante o século XIX, Celeste Zenha
Cartografia e Nação: a edição dos Atlas Geográficos e a democratização dos signos cartográficos, Maria Eliza Linhares Borges
Leitura e impressão das imagens no século XIX no México: recursos da memória para a construção da identidade nacional, Veronica Zarate Toscano
VII – IDÉIAS EM CIRCULAÇÃO: OS PERIÓDICOS ENTRE A EUROPA E AS AMÉRICAS
As grandes revistas literárias e políticas na formação das elites britânicas no século XIX, Diana Cooper Richet
Correio Braziliense (1808/1822): A imprensa brasileira nascida inglesa e liberal, Isabel Lustosa
A Revista Americana (1909-1919) e as relações entre as Américas, Kátia Gerab Baggio
VIII – LIVROS, LEITORES E AUTORES: TENTATIVAS DE INCLUSÃO; MODELOS DE INSPIRAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO
Sinclair das ilhas ou os desterrados na ilha de Barra: uma tradução do francês ’em língua vulgar’, publicada no Rio de Janeiro em 1825 por Silva Porto, um livreiro liberal, Marlyse Meyer
Leituras (im)possíveis: negros e mestiços leitores na América portuguesa, Eduardo França Paiva
A Casa Literária do Arco do Cego e o Reformismo Ilustrado Luso-Brasileiro, Caio César Boschi IX – EDUCANDO PARA O FUTURO: EDIÇÕES E LEITURAS INFANTIS
Bastidores da edição literária para crianças no Brasil entre os anos 1920 e 1960: a atuação de Lourenço Filho junto à Companhia Melhoramentos, Gabriela Pellegrino Soares
A criança e a Nação brasileira: casos de figura em manuais didáticos luso-brasileiros do Império e da República Velha, Antônio Augusto Gomes Batista
A transmissão do saber, a educação e a edição de livros escolares, Aníbal Bragança
XI – AS EDIÇÕES NA ROTA DO ANTIGO REGIME E DOS IMPÉRIOS COLONIAIS
Do Almanaque da França ao Almanaque de Québec. Nação, Política e Edições de Almanaques na Europa e nas Américas (Canadá, Haiti, séculos XVIII-XIX), Hans-Jürgen Lüsebrink
As imagens de Napoleão Bonaparte sob a óptica dos impressos luso-brasileiros, Lúcia Maria Bastos P. Neves
Projetos políticos e nações imaginadas na imprensa da Corte (1831-1837), Marcello Basile

Eliana de Freitas Dutra é professora titular do Departamento de História da UFMG; pesquisadora e coordenadora do Comitê Assessor de História do CNPq; professora/pesquisadora associada do Centro de História Cultural da Universidade de Université de Versailles Saint-Quentin. Autora de vários livros sobre o período republicano e a circulação de impressos, entre eles, Rebeldes literários na República: História e identidade nacional no Almanaque Garnier (1903-1914) (Ed.UFMG)

Jean Yves Mollier é professor de História Contemporânea da Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines, vice-presidente da
Société des Etudes Romantiques et Dix-neuvièmistes. Publicou numerosos livros consagrados à história das edições e do aprendizados da leitura na Europa, entre eles, La lecture et ses publics à l'époque contemporaine. Essais d'histoire culturelle (PUF).

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